DIU Mirena, Kyleena ou de cobre: qual é o certo para você?
Quando uma paciente chega no consultório já decidida a colocar um DIU, a conversa não termina aí. Porque "DIU" é uma categoria, não um produto. Existem três dispositivos diferentes disponíveis no Brasil e cada um faz sentido para um perfil diferente de mulher.
Não existe o melhor DIU. Existe o mais adequado para você.
Os três tipos: o que cada um é
DIU de cobre
Não tem hormônio. Funciona porque o cobre é tóxico para os espermatozoides, impedindo a fertilização. Fica ativo por até 10 anos e é o único DIU que também funciona como contracepção de emergência se colocado em até 5 dias após a relação desprotegida.
Para quem não quer hormônio por qualquer motivo (preferência pessoal, contraindicação médica, amamentação), o de cobre é a opção.
O lado que precisa ser considerado: tende a deixar o fluxo menstrual mais intenso e as cólicas mais fortes, especialmente nos primeiros meses. Em quem já tem fluxo abundante ou cólica intensa, pode não ser a melhor escolha.
DIU Mirena
Tem hormônio (levonorgestrel, uma progesterona sintética) em dose maior, conforme prescrição médica. Age localmente, dentro do útero, com absorção geral mínima. Dura até 8 anos.
É o DIU hormonal com o efeito mais pronunciado sobre o ciclo: a maioria das mulheres fica com fluxo muito reduzido, e boa parte para de menstruar com o tempo.
Também é usado no tratamento de endometriose, adenomiose, mioma e cólicas intensas, porque ajuda a controlar essas condições enquanto faz anticoncepção.
DIU Kyleena
Também hormonal, também com levonorgestrel, mas em dose menor (conforme orientação médica) e com dispositivo fisicamente menor. Dura até 5 anos.
Costuma ser escolhido quando há preferência por dose hormonal menor, ou quando o tamanho menor pode facilitar a inserção, como em mulheres que nunca tiveram filhos e têm o colo do útero mais estreito. O efeito sobre o ciclo é parecido com o Mirena, mas geralmente menos pronunciado.
O que costuma definir a escolha na consulta
Não é uma fórmula. É uma conversa. Mas alguns pontos quase sempre entram:
Você quer zero hormônio? DIU de cobre.
Você tem cólica intensa, fluxo abundante, endometriose ou adenomiose? Mirena. O hormônio ajuda nessas condições.
Você nunca engravidou e tem preocupação com a inserção? Kyleena, pelo tamanho menor. Mas o Mirena e o de cobre também podem ser inseridos. Depende da avaliação.
Você está amamentando? De cobre ou Kyleena. Mas isso se discute caso a caso na consulta.
Você quer o método que dura mais tempo sem pensar? De cobre (10 anos) ou Mirena (8 anos).
Uma coisa que eu vejo acontecer com frequência
A paciente lê sobre DIU, decide que quer o Mirena, chega na consulta determinada e a gente descobre juntas que o de cobre faz mais sentido para ela. Ou o contrário.
Isso não é problema. É exatamente para isso que serve a consulta: pegar o histórico, entender o ciclo, as queixas, os planos de gravidez futura, e definir o que se encaixa melhor. Às vezes o que parecia certo na pesquisa online muda depois de 20 minutos de conversa.
Todas as opções funcionam bem quando são as certas para o corpo e o momento de vida certo.
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